quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


Sempre escrevi, mas, num blog nunca. Tenho manias de lápis, de papel, de rascunhos. Foi nos meus rascunhos que busquei pedaços dos meus pedaços, sim porque creio que sou feito de pedaços, minhas letras são pedaços de mim. Mexendo nos meus papéis sempre acabo encontrando algo. Velho, novo, mas sempre me lembro de como o escrevi, de como pensei e de onde o tirei. Tirar é o verbo que nomeio para quando retiro algo da minha cabeça, embora muitas vezes o que escrevo não sai da minha cabeça, pode ser do coração, da minh'alma, do mais escuro pensamento até o mais raro dos meus momentos. Por isso, lembro sem-pre de lembrar e guardar.Semana passada, encontrei algo que dizia o seguinte: “Minha cabeça redonda é uma bola quase quadrada". Putz! Fiquei pensando, onde foi que tirei isso?! E logo me lembrei... Era fim de tarde em casa, e eu estava escutando Monkey Man, dos Stones. Mas por quê?! O redondo aliado ao quadrado... E saquei. A bola entra no quadrado, o que não estava entrando naquele final de tarde com Sol era a minha bola na faixa oito do Let it Bleed.


E eu ainda me acho no direito de me achar louco...Pois bem, pianos e pianos depois, me deparo encruzilhadamente com uma música de Rick Nelson, Losenome Town (trilha do Pulp Fiction) ... Bah! Daí foi como um carro bate num poste e diz: - Ok, ok, você venceu man. Sabe, nem eu sei direito, mas a música me toca ao mesmo tempo em que as letras me possuem. E eu sei, elas me possuem. Como seu eu fosse um negro escravo do Mississipi fugindo num trem do patrão. Se fosse mencionar, o que cada música me ocasiona, escreveria um livro, e putaquepariu... Meu livro! Pois bem, um dia ele sai como a Portela sai na Sapucaí...


Eu tenho poucos amigos, e ainda, desses poucos que considero, alguns estão longe e é di-fí-cil de se ver... Minha estimada amiga e companheira desse blog tocou no assunto: Curitiba. Logo quando li lembrei de alguns amigos que possuo em Curitiba. Nada mais justo do que eu falar de Timbó, João, Ivan, Álvaro e Paulo... tive a graça de conhecer essas pessoas e de conviver com elas alguns momentos aqui no RS... Naquele inverno/outono de 2007, eu vi com meus olhos e escutei com meus ouvidos, Mordida (Lançando o EP Tokyo) no Revival em Caxias do Sul-RS, um dos melhores shows/festa da minha vida! Começava ali uma amizade aonde, no ano seguinte abri as portas da minha casa para dar estadia pra galera... Isso me fez lembrar de Curitiba, uma cidade na qual não conheço e sei que devo conhecer, por muitos motivos, mas pode ter certeza que o maior deles é de tomar cerveja com essas figuras especiais.


Por isso, que sempre escrevi, mas, num blog nunca, tenho manias de lápis, de papel, de rascunhos. Foi nos meus rascunhos que busquei pedaços dos meus pedaços, sim por que creio que sou feito de pedaços, minhas letras são pedaços de mim e meus amigos as coisas mais bem cuidadas desse meu jardim.

>>> Para registrar olha o que os caras me escreveram no encarte do EP Tokyo:

... Up the Mod’s! (Ivan)
... Ao grande amigo e ator pornô, um abraço (Timbó)

* Espero que gostem, sorriam, que conversem sobre as coisas que aqui serão colocadas. Da maneira mais simples e mais interessante possível vou me dedicar a es-cre-ver aqu-i.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Incenso fosse música"


Aqui está mais um blog no meio de milhares de outros no mundo cibernético. E aqui está um casal de amigos que resolveu escrever juntos sobre as coisas que lhes interessam. A boemia na qual eles vivem, poesia, cinema, cultura underground, filosofia, imagens, existencialismo, delírios. Entre um punhado de palavras e meia dúzia de idéias, aqui está a vida de dois jovens prontas para serem descobertas no Moderno Mundo.

Sem mais delongas, eu queria abrir este post falando sobre o Paulo Leminski, poeta curitibano com um jeito peculiar de escrever. Leminski tinha um jeito único: fazia trocadilhos, hai-kais e poemas curtos de fácil entendimento. Além de poeta, foi professor de História e Redação em cursos pré-vestibular, era estudioso da língua japonesa e faixa preta em judô. Morreu em 1989 deixando uma extensa produção literária, entre gravações e parcerias.

Incenso Fosse Música

"isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além"


Oração de um suicida

"Vejo nos teus olhos/ tão profundo as durezas/ que esse mundo/
te deu pra carregar/
Vejo também/ que sentes que tem
amor pra dar / perdi-me na vida
achei-me no sonho / a vida que levo
não é a que quero/ não quero mais nada"

Como diria Fábio Elias sobre o cara do bigode esperto: Valeu Leminski!!