quarta-feira, 11 de março de 2009

A arte de contracenar com o tempo e se fazer de morto


Um dia ainda descubro o real valor das coisas, o peso das costas e a inclinação lunar no céu do meu quarto. Existem pessoas que não existem, e outras que ousam em querer existir, ou seja, não basta existir tem que se mostrar existida de certa forma. Assunto juvenil, portanto, mudaremos os traços do meu português normal e absolutamente lúcido. Aqui já se tomou aspirina escondido com dez e acetona com doze... Imaginem, tenho 25 anos de sonho e de sangue / E de América do Sul / Por força deste destino / Um tango argentino / Me vai bem melhor que um blues... Como canta Belchior.

Falando em 25 anos, sonho, sangue, destino, tango e blues, farei um exercício mental com vocês, é assim:


Meu sangue é de blues,

Meu destino de sonho.

Pesam 25 anos de tango.

O peso do meu blues,

É como um sangue de sonho.

Feito um destino sem tudo.


Vamos para outro lugar agora, imaginem a cabeça de uma pessoa pesando 100 toneladas de madeira... Ela cai certo? Sim. Agora pensem uma cabeça com 25 toneladas de vento... Ela voa? Não. Ela pára. Simplesmente estaciona e pára.
E sobre a eternidade? A demora infinita, o imorredouro natural, ou seria irracional? Leia o livro o / Universo em Desencanto... Já cantava Tim Maia. Pois olha, a verdade sobre a verdade de falar verdades incabíveis se escondem nas mentiras mais estúpidas e mortais inconcebíveis.
Você escolhe amigos, ou se encanta com eles e já sabe que são seus amigos? Faz uma prova de matemática e escolhe quem sabe mais? Eu, nem escolho, eles vêm, eles ligam, tocam a campainha da minha casa, nem batem no quarto, entram... Porque os deixo livres para ir e voltar, sempre. E a saudade? As lembranças afetuosas a pessoa ausente...
Eu sinto saudade, tenho saudade das minhas irmãs, das minhas sobrinhas de S.P, dos meus pais quando viajo, da minha namorada, dos meus amigos, dos meus amigos... Sabe, tentam fazer com que eu mostre algumas coisas para amigos meus, e eu respondo aqui sem revolução alguma: - Eu deixo, deixar nada mais é do que abster-se e permitir que o tempo fale, eu sei que ele fala e honestamente, me calo, me fecho e me conscientizo de que adjetivos a mim foram atribuídos e aceitos da maneira mais interessante possível, e saibam, interessante é ser interessado por todo o sempre. E querendo me aprofundar mais, sei que pra mim não é preciso ir longe para buscar paz, Belchior, pra mim é sinônimo de bom português e de paz, afinal de contas, escrever nada mais é do que representar-se por meio de letras, então, represente-se sempre bem, e uma letra bem escrita fala pela eternidade e com ela se sente a saudade de tempos de paz...


Vai, voa vento/ vento, voa e vai...


A Palo Seco (Antônio Carlos Belchior)


Se você vier me perguntar por onde andei

No tempo em que você sonhava

De olhos abertos lhe direi

Amigo eu me desesperava

Sei que assim falando pensas

Que esse desespero é moda em 76

Mas ando mesmo descontente

Desesperadamente eu grito em português

Mas ando mesmo descontente

Desesperadamente eu grito em português

Tenho 25 anos de sonho e de sangue

E de América do Sul

Por força deste destino

Um tango argentino

Me vai bem melhor que um blues

Sei que assim falando pensas

Que esse desespero é moda em 76

E eu quero é que esse canto torto feito faca

Corte a carne de vocês

E eu quero é que esse canto torto feito faca

Corte a carne de vocês

>>> Desculpem a demora do post, mas isso não vai se repetir. Beijo e abraços a todos.

>>> Domingo de batizado, meu amigo e irmão camarada de festinhas com whiskys batizará seu filhão Chico Farina... Então, rock pra ele! Meu abraço estará lá.

5 comentários:

  1. bah que massa
    sabe quando tu identifica algumas das tuas palavras no texto de outro? como "eu sinto saudade" deve ter mil posts meus falando sobre isso. mas a ideia de a cabeça com madeira e com vento foi ótima!
    e admiro o seu despreendimento das pessoas. desculpe baby, como diziam os mutantes [já que a onda está sendo parafrasear bandas], mas eu não sei me desprender disso, os amigos batem na porta, entram, e eu os tranco lá dentro! [imagine aquela risada diabólica agora!]

    é isso
    abraços


    [pennyyyyyy beigooos!!]

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  2. Esse blog está te fazendo bem, Rocko. Tá fazendo bem pra mim também. "Você escolhe amigos, ou se encanta com eles e já sabe que são seus amigos? Faz uma prova de matemática e escolhe quem sabe mais? Eu, nem escolho, eles vêm, eles ligam, tocam a campainha da minha casa, nem batem no quarto, entram... Porque os deixo livres para ir e voltar, sempre. E a saudade? As lembranças afetuosas a pessoa ausente..." Tu não me escolheu, eu também tampouco te escolhi. Quando me dei por mim, acho que a gente já tava precisando um do outro. E parabéns para o Cafuzão, amigo Ferare, que tem um bebê lindo...o querido o Chico!

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  3. N.A.V.E:
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  4. Tá barato o ingresso, gente! Dá-lhe Rocko!!

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  5. lindo esse texto! Tanto mais que outro que li ainda nas minhas férias (mas não consegui postar um comentário)

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