terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mary Quant*



Inglesa, nascida em 1934, foi principalmente lembrada por trazer a minissaia, cabelos geométricos e colants de todas as cores e padrões, ficando conhecida como a rainha da moda da "swinging London". Começou sua história na criação em 1955 com uma pequena loja na King’s Road, uma das principais ruas da época que também foi associada depois com o movimento punk. Antes havia estudado Belas-Artes no Goldsmith’s College e trabalhado como assistente de uma casa de chapéus. Dali, ela saiu para abrir, em sociedade com Alexander Plunket Greene, com quem se casaria, e com Archie McNair, sua primeira loja, chamada Bazaar.

Sua moda barata e jovem foi inicialmente um grande sucesso quando decidiu criar as peças que vendia. Sua sensibilidade logo descobriu que o mundo vivia uma época muito especial, de contestação dos valores até então estabelecidos, e isso valia também para a moda. Os jovens, que começavam a engajar-se no movimento hippie, queriam roupas diferentes, provocantes, abusadas. Estava em marcha uma mudança completa e complexa nos domínios sexualidade, com o surgimento da pílula anticoncepcional, que alterava radicalmente a relação entre homens e mulheres.

Mary Quant somou todos esses ingredientes e colocou nas vitrines de sua loja roupas com um estilo novo, alegre, descontraído, no qual a palavra de ordem era a liberdade. O sucesso foi arrasador, fosse o que fosse que vendesse - e ela vendeu de tudo, de roupas íntimas a trajes de banho, de vestidos a meias.

Os vestidos eram simples e podiam ser usados a qualquer hora, de dia ou de noite. No início eles tapavam o joelho, mas em 1960 as bainhas subiram e deram origem a mini-saia. Nos anos 60, a loja converteu-se num império internacional, para o qual Mary Quant criou moda, acessórios e produtos de cósmética, tudo jovem e pouco complicado. Ela também ficou conhecida por ser a primeira a usar o material PVC em casacos e botas, a criar carteiras com correias compridas, tornando sua aparência própria para jovens.

Também foi a primeira a lançar tops de crochê, outra epidemia que correu o mundo. Colocou em evidência roupas de malha canelada, aderentes ao corpo, e os cintos largos jogados sobre os quadris. Acabou com a distinção entre moda por faixas etárias, e rompeu a barreira entre as roupas formais e informais.

Em 1966 foi declarada a mulher do ano e condecorada com a ordem mais elevada, mas no final dos anos 70 já estava quase esquecida. Ela então vende o seu negócio, ocupa-se apenas da cosmética e passa a criar para outras empresas. Ainda hoje, Mary Quant vive da fama do passado, e especialmente no Japão, a sua etiqueta ainda continua a registrar um grande número de vendas.

Com um corte de cabelo em cincos pontos exatos, Mary Quant provocou uma onda de imitações apenas comparável à que Coco Chanel suscitara com a sua moda vanguardista. Todas as mulheres progressistas queriam provar sua independência, ao cortarem os cabelos. Mary Quant e seu cabeleireiro, Vidal Sasoon, desejavam conferir precisão ao penteado “cogumelo” dos beatles. A partir do meio da cabeça, os cabelos caiam até cinco pontos, ficando de tal maneira perfeitos que pareciam um capacete futurista. Esta acentuação de uma cabeça redonda tornava o pescoço e o corpo ainda mais delicados e frágeis; e os olhos aumentados graças à maquilagem, criando um aspecto quase infantil.



O ideal da década não acentuava atributos femininos, mas projetava uma ninfa magra e atrevida em fase de experimentação da sua sexualidade. Corpetes, ligas e estiletes foram substituídos por sutiãs, colants e botas sem salto. E a maquiagem passou a ser muito importante. A cor nos lábios era proibida, colocando-se apenas um brilho. Já nos olhos, as mulheres utilizavam toda cor que fosse necessária, para que o efeito final fosse o de uma criança que tinha exagerado ao se pintar. Eram utilizadas sombras de várias cores, traços escuros nas pálpebras superior e inferior, várias camadas de rímel e cílios postiços.

As flores, grafismo do logo da estilista, eram um símbolo da juventude e da naturalidade, mesmo que fossem de plástico como a da Mary Quant, a margarida que era usada como adorno. O plástico usado nos acessórios e no vestuário estava de acordo com a crença otimista no futuro e com a euforia das viagens espaciais.

Seu nome é hoje totalmente associado à minissaia, mas há quem diga que a criação da peça seria de André Courrèges. Não se sabe ao certo, mas foi ele que primeiro a combinou com botas e a introduziu na alta-costura. Ele inovou e deu mais liberdade a mulher incentivando o uso de botas de salto baixo. Só assim as mulheres permaneceriam “em contato com a terra e a realidade”.

A moda de Mary Quant serviu também, com sua simplicidade às jovens estudantes que não queriam mais se parecer com suas mães. A encarnação deste novo ideal era a Twiggy, a inglesa de dezesseis anos, que embora pesasse apenas cerca de quarenta e cinco fez muito sucesso, sendo a primeira modelo a se tornar um ídolo das massas.

Mary Quant foi importante na construção da história da moda inglesa. Quando a jovem estilista começou a buscar inspiração na rua, a moda da cidade adquiriu um cunho inconfundível. Em entrevista a France Presse em 2004, ela afirma que o desejo pelo individualismo ficou hoje ainda mais forte e que não se quer mais regras para a moda, apenas peças e idéias que possam ser usadas e combinadas de um jeito próprio no nosso dia-a-dia, enquanto indivíduos.

Mary Quant tem hoje com 71 anos. Ainda exibe um corte Vidal Sassoon, reminiscente da Londres dos anos 60, e continua chique e nada conformista. Uma de suas frases mais conhecidas é "o bom gosto é a morte, a vulgaridade é a vida". Ela também costumava dizer que a moda deveria refletir o que estava no ar.

* texto extraído do blog Moda Chinelagi

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