quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Beto Nickhorn, o Modfather dos Pampas (entrevista exclusiva)

Este músico e publicitário há mais de vinte anos faz parte da história do Rock gaúcho, e é por muitos (e por nós também) considerado o ModFather dos Pampas. A poucas horas de completar seus 44 anos de vida, Beto Nickhorn nos concede esta entrevista exclusiva, onde fala um pouco da sua carreira como músico e como modernista.



M&M's: Desde já eu agradeço, Beto, tu é um amor, pai! Eu queria que tu me contasse como começou a tua relação com a música ou, a partir de que momento e como a música entrou na tua vida?

betonickhorn: Bem, foi lá por 1976 quando eu ouvi Help! pela primeira vez...foi emocionante. Mas a minha paixão pelos "bítols" começou em 1980. Daí por diante comecei a aprender a tocar e fui levando, a música é a coisa mais importante na minha vida,depois de minha familia, é claro! No início eu achava que ia ser baixista, mais pelo meu físico, mas acabei sendo um guitarrista por comodidade. Guitarra é mais facila de tocar sozinho, ehhee. Em 1983 passei em uma livraria e vi um livro com a biografia do The Who e me identifiquei com uma foto de 1965. Achei muito legal aquele visual, de cabelo curto, penteado para frente com jaquetas com medalhas e camisetas com símbolos, achei MODerno, mesmo alguns anos depois. Algum tempo depois um amigo meu falou sobre uns tais mods, gurizada da classe operaria inglesa que gostava de se vestir bem. Aí foi se formando a lenda. Ouvia muito Who, conheci Small Faces e Kinks, e lógico, no final de 1985 comprei o primeiro disco do Ira! que tenho até hoje. Cada vez mais essa contracultura se aproximava de mim. Ouvia também muita coisa conteporanea como Clash, Smiths, R.E.M. etc...Conheci o Jam mesmo só em 1987 nos Estados Unidos, onde morei por um ano. Era o clip de Town Called Malice. Eu conheci o Style Council antes, e achei muito semelhante, heheheh, caminho inverso...Nos anos 90, voltei a ouvir rock 60 como Troggs, Kinks, Small Faces, Love etc...Tinha uma banda chamada Dellips, que fazia um som mais underground de 1989 a 1993, depois formei a Lovecraft com o Plato [Divorak], que durou até 1998, nessa época comecei a conhecer outras bandas brasileiras mais sixties mod como o The Charts e Relespública. A Lovecraft tinha influencia mod entre outras, como Stooges e MC 5, Pink Floyd e Nick Drake. Em 1989 entrei para os Hipnóticos, que levou essas raízes mais radicalmente. Tocamos em vários lugares e entramos no circuito mod br. Saí da banda em 2002, e aí fundei o meu trabalho solo: Beto Nickhorn & Os Caras, levando muito a sério as raízes mod, especialmente Who e Ira! com pitadas soul e Jovem Guarda trabalho ficou ativo até 2007 e agora está na geladeira (heheheh. Pro ano que vem tenho alguns projetos, que ainda estao em desenvolvimento. Quanto aos instrumentos que eu uso... eu tive alguns intrumento mas tenho verdadeira paixão por fender stratocaster e rickenbacker 330 e amplificadores Marshall sem pedal nenhum, só o drive original, hehehe, acho que é isso aí... que eu me lembre.

M&M's: ok, tu respondeu numa tacada só quase todas minhas perguntas, rsrsrs. Como tu definiria o MOD hoje em dia?

betonickhorn: Hoje em dia não é mais um movimento (mundialmente falando). Cada um tem uma concepção diferente, existem muitas correntes diferentes e todas estão "certas" do seu modo. Mas, para mim, mod é uma coisa individual (ou individualista). Nunca fui muito de fazer gang e todo mundo se vestir igual e condenar quem é diferente, esse não é o caminho. Não existem regras e no fim de tudo o Ira! estava certo... "Niguém entende um mod", nem ele mesmo, hehehehe.

M&M's: é vero, rsrs. Tu diria que hoje em dia nós, que nos auto-titulamos modernistas, nos afastamos do Mod original, do que era a sub-cultura na sua essência?

betonickhorn: Ah sim, mas isso é uma questão de época. Os originais eram ingleses e o "movimento" acabou no ano em que eu nasci, e para mim só ouve um outro movimento legítimo
que foi o Revival de 79, mas tinha um ótica diferente dos originais, eram mais próximos dos punks,depois disso só tiveram pequnas manifestações em vários países mundo afora, tipo no Japão, Espanha, Chile, etc... Atualmente tenho ouvido muito uma banda dinamarquesa chamada "The Movemnt" que mistura Jam com Clash com muita velocidade e a banda russa White Trainers Commuinty, que é bem The Jam. Tenho ouvido uma banda espanhola bem legal chamada Art School. É isso!

M&M's: Qual a tua opinião a respeito dos "novos" MODS de hoje em dia que vemos por aí?

betonickhorn: Existem alguns? Hehehehehe. Conheço alguns mods verdadeiros, mas eles não gostam de ser assim chamados, ahahhaah. Mas aqui em POA [Porto Alegre] nunca houve uma cena mod propriamente dita, aqui é mais rock, mais britpop. Sp e curitiba seguem melhor a cartilha, eu acho.

M&M's: neste ponto concordo contigo...

betonickhorn: E bandas mods atuais acho que só tem os Modulares e Os Chuvas (que recem estão gravando uma demo).

M&M's: Estão mesmo. E como surgiu o título Mod Father dos Pampas? Como tu te sente sendo considerado o pai dos MODS gaúchos?

betonickhorn: Hehehehe, acho que fui uns dos primeiros a se intitular assim.
O apelido de modfather foi o Leonardo Bomfim que me deu (acho) na época da Brahmod [antiga festa da noite porto alegrense] e fiz parte da geração de 99 que trouxe a tona o termo mod, como a Cachorro Grande (apesar de não serem), mas o visual deles confundiu muito as pessoas, hehehehe.

M&M's: E ainda confunde, não é mesmo?

betonickhorn: Sim, mas eles tinham aquela atitude raivosa no palco, lembrando o Who,
assim como os Hipnóticos, na qual o Gross [Marcelo, guitarrista da Cachorro Grande] tocava. Gritos e microfonia. Agora eles mudaram um pouco o rumo.

M&M's: Verdade.

betonickhorn: Eles vivem disso. Tem que mudar para sobreviver, né?

M&M's: Depende, hehehehe.

betonickhorn: Sim, mas eu, pro exemplo, ganho meu dinheiro com publicidade e com minha música, sou idealista, mas viver de musica é foda, nas duas maneiras.
Não percam logo mais nosso próximo post! Keep the faith!

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