sábado, 1 de junho de 2013

São Paulo vai de scooter!

Cordialidade, quilometragem e memória. Estas podem ser a três palavras-chave que resumem o apaixonado (e apaixonante) trabalho de Marcio Fidelis frente a um dos maiores clubes de scooters do País: a Sociedade 2 Tempista Scooteria Paulista, de São Paulo.

Marcio Fidelis


Marcio, que é maluco pelas motonetas desde criança, nos conta um pouco como surgiu esta paixão, das atividades desenvolvidas pelo grupo até agora e quais são os planos para o segundo semestre de 2013.

Como surgiu a paixão por scooters?

 Surgiu de uma soma de elementos: o estilo das scooters me cativava na infância. Talvez a causa tenha sido hereditária: meu tio Donizetti Fidelis teve várias Lambrettas na cidade de Assis durante os anos 70, ele era funileiro/pintor e era membro de uma gangue de rachas e gincanas chamada Lotus - inspirada no Fittipaldi. Mas a música foi a principal motivação!! Comecei a ouvir Beatles na 5ª.Série e não parei mais. Então na adolescência ouvia tudo o que era novidade rockeira vinda da Inglaterra, até que saiu o disco Be Here Now (do Oasis), com aquela maravilhosa scooter Bella, da Zündapp. Foi aí que comecei a compreender a relação de alguns estilos musicais e os veículos motorizados, porque o Ira! já tinha feito isso no disco "Mudança de Comportamento", com o Gaspa na contra-capa numa rara Vespa Sprint (acho) azul. Eu era motociclista, inconformado, e queria protestar contra o mundo e levar uma vida às avessas. Morei em outras cidades do interior paulista e paranaense, e quando voltei pra capital, há dez anos atrás, conheci os Mods e Garage-Punks emergentes da zona leste da cidade, com bandas definitivamente fascinantes. E no meio disso tudo tinham as Vespas e as Lambrettas d' Os Tralhas Scooter Club. Doa a quem doer aquela era a gangue de motonetas mais arruaceira que existia. Resultado: virou a minha cena também. Era questão de tempo para eu comprar a minha primeira Vespa (uma 150 Super) e apavorar nas ruas. Depois disso, foi só manter a aceleração.



Quantas scooters você já teve? De quais modelos e marcas?

Três. Minha primeira Vespa foi uma 150 Super, ano 1977. Essa eu vendi (arrependidamente) quando passei um aperto. Depois veio uma Originale 150, ano 1998 - que atualmente tem motor de 200cc. E recentemente peguei outra 150 Super, ano 1980.

Conte um pouco sobre o surgimento da Scooteria Paulista, e que atividades foram desenvolvidas até agora.

No final de 2009 tive algumas divergências com o pessoal do clube. Eu rodava muito sozinho por rodovias e estradas vicinais, e conhecia muitos scooteristas (vespistas, lambrettistas), veteranos ou não, e que tinham outras motivações e histórias fantásticas vividas em motonetas. No início de 2010, pela internet, fomos construindo a ideia de um evento inter-estadual: eu, mais um clube gaúcho e outro paranaense. Então, para representar a bandeira do meu Estado, criei o nome: Scooteria (que transmitia a idéia de "infantaria", "cavalaria", e) Paulista (remetendo à identidade). Nascemos com 15 integrantes, e chegamos a reunir 100 membros no agrupamento. Desde a fundação, realizamos cerca de 70 giros rodoviários, visitamos sete Estados brasileiros em cima das nossas Vespas, e três países sul-americanos. Dos eventos organizados por nós, foram cerca de 25 ao todo. E os mais expressivos e marcantes talvez tenham sido esses:

Curitiba em Vespa 2010 (primeiro encontro de estradas/Estados); São Anivespaulo (tradicional giro em homenagem ao aniversário de São Paulo - faremos a sexta edição em janeiro); Raduno da Primavera (giro entre a capital e o litoral paulista - faremos a quarta edição em novembro); Circuito das Motonetas de Interlagos (junto da loja Free Willy, um giro pelo Autódromo); SP EM 2T (festas em homenagem aos integrantes, com premiação e entrega de certificados de performance); In Vespa Fidelis (minha viagem 100% em Vespa feita de SP até Buenos Aires, representando nosso grupo num grande encontro sul-americano); Expedição Tropeira Brasil-Paraguay (giro de dois integrantes do grupo rumo à Assunção, em visita ao clube nacional); SP em Vespa e Lambretta 2013 (o maior encontro de motonetas a que se tem registro, com presença de 180 ou mais nos três dias de eventos)
*Houvera muitos outros eventos, e cada um melhor que o outro, mas destaco esses agora lembrando...).



Como consta no sirte, após três anos, houve aquilo que vocês chamam de "falência ideológica" do grupo. De que maneira isso se deu e por quais motivos?

A falência ideológica da Scooteria Paulista aconteceu porque a princípio éramos um agrupamento aberto e receptivo. Bastava chegar numa motoneta, bastava dizer "eu faço parte", que então considerávamos-no membro eterno. Todavia a grande parte do trabalho todo ficava comigo, porque o nosso nível de atividades (oficiais e extra-oficiais) aumentava conforme passávamos de marcha. Todavia quanto mais o grupo aumentava, mais ele exigia de mim. Então a velocidade da produção dobrou, e eu não podia parar. É o caos, você não pode contê-lo, é a vida. Encha uma panela de água e ponha no fogo. As moléculas, em baixa temperatura, movem-se lentamente; mas conforme o calor aumenta, a velocidade das moléculas também aumentam, e proporcionalmente o caos entre elas. E o que explica a "morte ideológica" é que o modus operandi da Scooteria já não era mais essencial para a nova realidade internauta, e somado à falta de comprometimento de uns e exigências de outros, reuni o "Conselho" e propus três opções: re-inauguração, extinção ou eleição para nova liderança. Foi feito uma votação e decidido pela re-inauguração do grupo, agora com outros critérios de mais longo prazo. 



Como surgiu o nome Sociedade Dois Tempista?

Sociedade 2 Tempista Scooteria Paulista. Esse é o projeto que (des)continua o outro. Remarcamos o chassis e estamos trabalhando no motor cansado. Sem muita pretensão, a idéia tem o princípio na Sociedade, aonde é preciso que cada membro tenha o mínimo de comprometimento. 2 Tempista é um neologismo que criei - e vem dos motores de tecnologia de 2 Tempos - e é um critério essencial para a inserção do scooterista na Sociedade. E Scooteria Paulista é uma herança da história recente, e perpetua a nossa velha essência: cordialidade, quilometragem e memória.



Quais os planos para o grupo para este segundo semestre de 2013?

Certo é que participaremos dos principais eventos que os clubes estão organizando pelo Brasil, como o de junho em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais. Também dos Desafios (bimestrais) de Motonetas - corridas amadoras. Em agosto estaremos em Jundiaí, e em Setembro desceremos para Florianópolis, na fundação de um clube local que está em projeto. Em Outubro vamos pra Marrocos: dois integrantes da nova Scooteria participarão do Vespa Raid Maroc, uma competição off-road de seis dias. Em Novembro vamos para o Paraguay. Também nesse mês organizaremos o IV Raduno da Primavera na cidade de Santos. E provavelmente em dezembro retornaremos para Buenos Aires, Argentina. Está em projeto também um Raid rumo ao norte brasileiro. Veremos. Fora os giros, Fabio Much está disposto a re-ativar a Rádio Motoneta com os programas Ao Vivo, e o Leo Russo e eu pretendemos dar uma forma definitiva ao projeto literário do Almanaque MOTORINO.

Foto: Andrea Soriano


Quais as dicas e os conselhos que você dá para quem quer comprar sua primeira scooter?

Para quem quer comprar uma scooter moderna, não recomendo nada, até porque nem sei como funciona uma. Mas para aqueles que buscam por old scooters, como as Vespas e as Lambrettas, recomendo que procure se encontrar com quem tem uma, procure saber aonde há mecânicos nas redondezas, e se for possível, dê uma voltinha na motoneta antes de fechar qualquer negócio. É preciso saber que essas são máquinas robustas, que exige alguns cuidados, que precisa funcionar com certa frequência e que, se você se adaptar à ela, a satisfação é garantida.

2 comentários:

  1. Obrigado Penny e equipe do blog Moderno Mundo pela difusão do nosso trabalho em meio ao acervo de vocês. Admiro e acompanho esse blog, e tamanho espaço aqui me deixa muito contente, porque o movimento Mod não teria sido o mesmo sem as motonetas, e as mesmas não teriam tão profunda magia pros proletários e suburbanos se não fosse o universo inglês em 2 Tempos. Um abraço, e até um dia de cerveja, lambretta e rock'n'roll aí ou aqui.

    Marcio Fidelis

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  2. Nós é que agradecemos, Márcio pelo teu excelente trabalho em divulgar o scooterismo pelo país e pela tua vontade e disponibilidade em responder às nossas perguntas. Foi uma grande honra poder fazer parte de tudo isso. Um grande beijo!

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