segunda-feira, 24 de junho de 2013

Upload da semana - V.A. Goldwax Northern Soul

O upload desta semana vem aquecer os corações (e as canelas neste inverno gelado) com o mais puro Northern Soul desta coletânea, a Goldwax Northern Soul.


A Goldwax, selo fundado em 1964 em Memphis, Tenessee, teve uma vida curta e meteórica, diferentemente da sua "concorrente", a Motown. Mesmo com a morte prematura, o selo teve no seu hall de estrelas James Carr, The Ovations e Spencer Wiggins, todos presentes neste cd.

Para quem curte um N.S. catimbado, violento e com muita emoção, este álbum é clássico e essencial.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Vespalogy

O post de hoje é uma dica do Bruno Moreira. Valeu, Brunão!


A agência francesa Nomoon resolveu criar este vídeo divertidíssimo sobre os 70 anos da Vespa Piaggio. Mostrando todas suas evoluções e modelos, os franceses fizeram uma verdadeira declaração de amor a esta que é uma das scooters mais famosas de todas.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Sonoridades #6

Ótima tarde, mates! O sonoridades de hoje vai falar sobre uma fabricante de amplificadores que a grande massa dos músicos brasileiros não conheciam há três anos atrás, mas que está em todas as lojas conceituadas de instrumentos atualmente.


Hiwatt da década de 1970, via Who.net


A partir da segunda metade da década de 1960, a Hiwatt Amplifiers surgiu no mercado e reforçou a tríade de amplificadores que deu a cara do rock britânico: Marshall, Vox e Orange. Dave Reeves fundou a Hiwatt e a Hylight Electronics em 1966, mas para aumentar o poder aquisitivo, a empresa começou como fabricante de outras marcas de amplificadores (porém não excluía os seus próprios) e apenas em 1968 Reeves consegue fazer com que a companhia tenha totalmente foco em produtos legítimos da empresa.

Creio que a The Who foi uma das primeiras bandas a manter uma fidelidade com a marca Hiwatt - a partir de 1967 -, enquanto que a outra principal banda mod, Small Faces, utilizava amplificadores Marshall e não os abandonou até o fim e início do The Faces. Na década de 1970, Manfred Mann e Pink FLoyd ingressaram na lista de bandas fiéis a empresa.


Hiwatt Cab utilizado pelo The Who em 1972, via Who.net


Contudo, no início da década de 1980, o fundador Dave Reeves morre e a empresa entra em hiato até 1984, quando é vendida para outra empresa - a Music Ground - e perde muito de sua força conquistada com suor nas décadas anteriores. Em 2008, com uma estratégia de marketing bem elaborada, a marca Hiwatt volta com toda a força do mundo, sendo parceira de bandas como Kaiser Chiefs, U2, e milhares de pequenas bandas britânicas e aqui no Brasil, com a Skank. 

Hiwatt personalizado da Skank, via site Skank


Infelizmente, os amplificadores Hiwatt que chegam ao Brasil geralmente são transistorizados e não valvulados. Devido a isto, não consigo fazer uma descrição sonora, já que seria um erro utilizar os "piores" modelos da marca para dar minha opinião, além de nunca ter visto, nem tocado em um verdadeiro Hiwatt valvuladão.

Até o próximo sonoridades!


terça-feira, 18 de junho de 2013

All or Nothing – The Musical

Estou bem certa que quando eu, vocês e mais a torcida do Mengão pensamos em musicais, pensamos em filmes onde as pessoas cantam musiquinhas o TEMPO TODO

Eu, particularmente, adoro musicais. Eles são tudo aquilo que eu gosto, mas morro de vergonha de admitir (não para vocês), principalmente se forem filmes que reúnem números de dança interpretados por Fred Astaire e Gene Kelly.

Porém, confesso que fiquei com um pé atrás depois de ver ampla divulgação entre os modernês deste que promete ser um filme musical sobre o The Small Faces - All or Nothing - The Musical. O filme, como vocês bem podem imaginar, pretende contar as história dos rapazes, da juventude ao estrelato, do fim da fama até à tragédia que é o ato final desta que é uma das maiores e melhores bandas da história da música.


Este realmente promete ser um musical mod, e está sendo dirigido e produzido por Tony McHale, que já ganhou um BAFTA (Oscar britânico para produções televisivas). Não sei o que realmente esperar, mas se o filme for tão legal e emocionante quanto o trailer, é possível esperar por uma grande obra-prima, que vai marcar a filmografia mod tanto quanto Quadrophenia.


O site de divulgação é legal por possuir diversas informações. Vocês podem, inclusive, saber como anda o orçamento do filme. Há também um vídeo que mostra fotos do ensaios dos atores, que nem de longe são parecidos com os rapazes do Small. Fazer o quê, né?

domingo, 16 de junho de 2013

Upload da semana - combo duplo do The Sonics

Cês sentiram falta dos uploads da semana, né? Pois é, eu também... Mas, como não há nada a temer, resolvi recuperar o combo duplo do The Sonics, originalmente postado em 2010. Felizes? Pois é, eu também...




sábado, 15 de junho de 2013

Na caixinha

O site Scooter Swag trouxe uma pequena, porém preciosa coleção de caixas de fósforos húngaras com desenhos de scooters. Um pequeno deleite para nossos olhinhos *-*


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Mod Couples por Carlotta Cardana

O Moderno hoje está em clima de amorzênho e, para celebrarmos essa data tão romântica, trago o lindo trabalho desenvolvido pela fotógrafa inglesa Carlotta Cardana, intitulado Mod Couples.

Andy  Carlotta
Ella  James


Cardana ainda está desenvolvendo este projeto pessoal tendo a subcultura mod como pano de fundo. Seu verdadeiro objetivo é o de tentar captar a verdadeira identidade dos casais por trás da "máscara" modernê.

Ben  Hayley


Ela conta que decidiu retratar casais por ser fascinada pela maneira que suas identidades se harmonizam e produzem algo que é mais do que meramente a soma das partes. Inclusive, os retratados escolheram as roupas que vestiram e o lugar onde posaram para as fotos. Não é lindo?

Ben  Holly
Matt  Fay


Fotos: Carlotta Cardana


terça-feira, 11 de junho de 2013

O genial portfólio de Dean Chalkley - parte 2: Young Souls

Queridos leitores: este post era para ter saído na semana passada, mas estou em época de entrega de trabalhos finais na universidade e minha cabeça anda muito ocupada nesse sentido. Então, peço sinceras desculpas a todos vocês.

O que podemos falar de um homem que põe a alma no que faz e consegue transmitir isso em seu trabalho? Dean Chalkley já nos encantou e surpreendeu ao fotografar um pouco do cool style de jovens mods do século XXI, e agora, nos remete a uma espécie de mundo mágico ao celebrar a juventude que carrega o Northern Soul dentro de si.





Impossível é escrever a história definitiva do Northern Soul, mas é fácil descrever e transmitir a emoção de quem vive a música negra com muita intensidade.





Se trata de uma experiência passional que retrata toda uma cultura, quase uma tradição, de jovens enaltecidos pela música que os leva à imersão.





Para quem não lembra, eu já tinha apresentado este vídeo a vocês num post intitulado A Obsessão que é o Northern Soul.

Fotos e vídeo: Dean Chalkley

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sonoridades #5

Alright, mates! Hoje o Sonoridades foi feito para baixistas, focando em uma grande e inútil briga que estes instrumentistas tendem a continuar quando tentam comparar dois modelos extremamente diferentes e ficar discutindo qual é o melhor: Precision e Jazz Bass.

Bom, tudo iniciou quando a famosa Fender Musical Instruments Corporation foi fundada por Leo Fender na década de 1940. Todos deveriam saber que os instrumentos desta empresa mudaram o rumo do som de uma maneira magnífica, já que seu fundador criou e fabricou instrumentos únicos e extremamente versáteis ao combinar timbres de Country Music, R&B, Blues e Jazz em seus produtos, tornando-se assim essencial para qualquer gênero ligado ao Rock. Lembrando que Leo Fender avançou em outra direção das demais fabricantes ao produzir um estilo de guitarra em corpo sólido.



O fundador Leo Fender, imagem de Jon Sievert.

O Fender Precision Bass foi o primeiro modelo de baixo criado por Leo, em 1951, e houve uma tremenda revolução na maneira de os baixistas tocarem por ser um instrumento leve, elétrico, com trastes e você poderia pendurá-lo em suas costas ou tocá-lo sentado, como uma guitarra (isto era muito diferente para a época, em relação aos antigos contrabaixos acústicos). A grande questão do Precision Bass é o grave muito forte e a falta de definição sonora dos timbres, por isso os mais entendidos garantem ele deve ser utilizado em grupos que buscam uma sonoridade mais pesada ou em bandas com muitos metais, para garantir o grave.


Fender Precision Bass, modelo de 1958.

Já o Fender Fazz Bass foi introduzido ao mercado em 1960, tinha um modelo estético modificado e um timbre muito diferente. Desde que foi lançado, o Jazz Bass se tornou o grande concorrente do Precision - eu só não consigo entender o por quê. Afinal, o Jazz Bass possui médios ricos, graves desacentuados e um som brilhante, ou seja, é ideal para... Jazz (claro), MPB e bandas que querem que seu baixo apareça de um modo mais definido e agudo. Sabendo desta diferença entre um e outro, creio que você, leitor do Sonoridades, também não entenda a razão desta grande discussão que assombra os fóruns espalhados pela internet.


Fender Jazz Bass, modelo de 1962.

Posso usar um Precision para tocar jazz? Claro. Posso usar um Jazz Bass para tocar R&B? Claro. Tudo depende do som que você quer alcançar (e o que você deseja transmitir com isso). Portanto, não existe o "melhor", você é quem deve decidir isto e experimentar tudo o que for possível para criar seu timbre próprio.
Dica importantíssima: não acredite em vendedores, muito menos em fóruns.

Até o próximo Sonoridades, keep the faith! 


domingo, 2 de junho de 2013

Brasil VS England*


Em junho de 1984, o Maracanã se calava e via o jovem jamaicano naturalizado inglês John Barnes (que apesar de sua naturalidade não era fã de ska, mas sim de Rap tendo inclusive gravado músicas!), então atleta do Watford, driblar toda a defesa canarinho para abrir o placar naquela que seria a primeira e única derrota brasileira frente aos ingleses no Maraca, por dois a zero.

29 anos depois as duas seleções se reencontraram no ex-Maior do Mundo. Um Maracanã agora com cara de arena modernizada e européia, que não se parece tanto com aquele palco onde John Barnes brilhou.

O jogo desse domingo foi parte das comemorações de 150 anos da FA, a Federação de Futebol da Inglaterra, mas acima de tudo serviu como evento teste para a Copa das Confederações a ser realizada a partir do dia 15 deste mês. A partida foi também a segunda da Inglaterra utilizando uniforme fabricado pela Nike, a primeira com ele na cor vermelha. Um pouco estranho para quem se acostumou a ver o English Team sempre jogando com a tradicional camisa Umbro. Outra novidade foi a camisa escolhida pelo astro brasileiro Neymar. Acostumado a usar a camisa 11 pelo Santos e pela Seleção, para hoje ele escolheu a 10. Queria mostrar ser o dono do time e, quem sabe, se aproveitar da mística do número mais simbólico do futebol brasileiro. 

Getty Images

E no primeiro tempo ele demonstrou que a escolha não foi em vão. Vimos uma seleção brasileira aproveitando-se da maravilhosa atmosfera de voltar a jogar em seu estádio símbolo, e pressionando a Inglaterra por todos os espaços do campo. Só no primeiro tempo, os canarinhos conseguiram 15 finalizações, a maioria delas executada ou com participação do camisa 10. A figura do arqueiro do Manchester City, Joe Hart, foi a mais importante do lado inglês na primeira etapa. Defendeu chutes de Oscar, Fred e Hulk, além de rebater um voleio lindo de Neymar naquele que seria um gol perfeito para a reinauguração do estádio. Uma pena não ter entrado!

O meio campo formado por Jones, Carrick, Lampard e Milner tinha bastante dificuldade para criar, e faltava velocidade na saída de bola. A primeira chance clara da seleção visitante se deu já perto do término da primeira etapa, quando o lateral Glen Johnson deu passe para Walcott tentar finalização que foi defendida por Julio Cesar (que joga na Inglaterra, no pequeno Queens Park Rangers).

Via Ricardo Matsukawa/ Terra


Chegou o intervalo, e sabe-se lá como, a Inglaterra ainda segurava um movimentado 0x0. No Brasil, entraram Hernanes e Marcelo, para as saídas de Luis Gustavo e Felipe Luis. A Inglaterra já havia feito uma alteração durante ao primeiro, quando Baines (que joga no Everton de Liverpool e tem um penteado à la Beatles) saiu machucado para a entrada de Ashley Cole.

Recomeça a partida, e a torcida começa a ficar impaciente com alguns jogadores brasileiros e com a incapacidade do escrete nacional para abrir o placar. Felipão, o Big Phill, então coloca um dos preferidos da torcida, o winger Lucas que entra no lugar de Oscar. 

Mas é o sempre perigoso Fred quem abre o placar. Hernanes tenta uma bola de bastante longe, que Hart não consegue desviar e termina por beijar o travessão e voltar aos pés do camisa 9 do Brasil, que faz bonito movimento para vencer o já deitado goleiro inglês.

O técnico inglês Roy Hodgson faz uma substituição colocando Oxlade-Chamberlain no lugar de Glen Jonhson, mandando o time para o ataque em busca do empate. Talvez por influência da mudança, os europeus melhoram no jogo e equilibram as chances, levando perigo em finalização de Rooney após escanteio. 

Aos 22 minutos da etapa final vem o primeiro gol inglês. "The Ox" Chamberlain finaliza de longe depois de bela troca de passes frente à área do Brasil. Lindo chute!

Via Mauro Pimentel/ Terra


Mais uma mudança no Brasil, onde o central Fernando entra no lugar de Hulk numa tentativa de voltar a ter o controle do meio-campo. O que de início não parece ter dado tanto resultado...

Aos 33 minutos, Rooney carrega a bola pelo meio e tenta um chute de rara felicidade, acertando o lado esquerdo da baliza de Julio Cesar. 2x1 em grande estilo para a Inglaterra. Porém, a torcida presente no Maracanã não teve nem tempo de se chatear com o revés. 3 minutos depois Lucas fez boa jogada pela direita e cruzou para belo voleio de Paulinho, meia do Corinthians que é cotado para ir morar em Londres e defender o Chelsea. Era o gol de empate do Brasil, e o último a ser anotado na partida.

Via Mauro Pimentel/Terra


No fim das contas, ficou a impressão de que os dois times podem render mais. A Inglaterra não contou com atletas como Jack Wilshere, Steven Gerrard, Daniel Sturridge e Rio Ferdinand e claramente atuou num nível baixo na primeira etapa do jogo. Já na Seleção Brasileira ficou ainda mais forte a pressão para que Lucas Moura tenha oportunidades na vaga de Hulk, e para que Felipão encontre espaço para Hernanes e Paulinho juntos. 

Via Ricardo Matsukawa/ Terra


A Inglaterra agora se preocupa com as eliminatórias da Copa do Mundo enquanto o Brasil disputa a Copa das Confederações em busca do terceiro título seguido na competição.

Ficha técnica do match

Brasil: Júlio César; Daniel Alves, Thiago SIlva, David Luiz e Filipe Luís (Marcelo); Luiz Gustavo (Hernanes), Paulinho (Bernard) e Oscar (Lucas); Neymar, Fred (Leandro Damião) e Hulk (Fernando)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Inglaterra: Hart; Johnson (Chamberlain), Cahill, Jones e Baines (Ashley Cole); Carrick, Jagielka, Milner e Lampard; Walcott (Rodwell) e Rooney.
Técnico: Roy Hodgson

Gols: Fred, aos 12min, Chamberlain aos 22min, Rooney aos 34min, Paulinho aos 37min do segundo tempo.

sábado, 1 de junho de 2013

São Paulo vai de scooter!

Cordialidade, quilometragem e memória. Estas podem ser a três palavras-chave que resumem o apaixonado (e apaixonante) trabalho de Marcio Fidelis frente a um dos maiores clubes de scooters do País: a Sociedade 2 Tempista Scooteria Paulista, de São Paulo.

Marcio Fidelis


Marcio, que é maluco pelas motonetas desde criança, nos conta um pouco como surgiu esta paixão, das atividades desenvolvidas pelo grupo até agora e quais são os planos para o segundo semestre de 2013.

Como surgiu a paixão por scooters?

 Surgiu de uma soma de elementos: o estilo das scooters me cativava na infância. Talvez a causa tenha sido hereditária: meu tio Donizetti Fidelis teve várias Lambrettas na cidade de Assis durante os anos 70, ele era funileiro/pintor e era membro de uma gangue de rachas e gincanas chamada Lotus - inspirada no Fittipaldi. Mas a música foi a principal motivação!! Comecei a ouvir Beatles na 5ª.Série e não parei mais. Então na adolescência ouvia tudo o que era novidade rockeira vinda da Inglaterra, até que saiu o disco Be Here Now (do Oasis), com aquela maravilhosa scooter Bella, da Zündapp. Foi aí que comecei a compreender a relação de alguns estilos musicais e os veículos motorizados, porque o Ira! já tinha feito isso no disco "Mudança de Comportamento", com o Gaspa na contra-capa numa rara Vespa Sprint (acho) azul. Eu era motociclista, inconformado, e queria protestar contra o mundo e levar uma vida às avessas. Morei em outras cidades do interior paulista e paranaense, e quando voltei pra capital, há dez anos atrás, conheci os Mods e Garage-Punks emergentes da zona leste da cidade, com bandas definitivamente fascinantes. E no meio disso tudo tinham as Vespas e as Lambrettas d' Os Tralhas Scooter Club. Doa a quem doer aquela era a gangue de motonetas mais arruaceira que existia. Resultado: virou a minha cena também. Era questão de tempo para eu comprar a minha primeira Vespa (uma 150 Super) e apavorar nas ruas. Depois disso, foi só manter a aceleração.



Quantas scooters você já teve? De quais modelos e marcas?

Três. Minha primeira Vespa foi uma 150 Super, ano 1977. Essa eu vendi (arrependidamente) quando passei um aperto. Depois veio uma Originale 150, ano 1998 - que atualmente tem motor de 200cc. E recentemente peguei outra 150 Super, ano 1980.

Conte um pouco sobre o surgimento da Scooteria Paulista, e que atividades foram desenvolvidas até agora.

No final de 2009 tive algumas divergências com o pessoal do clube. Eu rodava muito sozinho por rodovias e estradas vicinais, e conhecia muitos scooteristas (vespistas, lambrettistas), veteranos ou não, e que tinham outras motivações e histórias fantásticas vividas em motonetas. No início de 2010, pela internet, fomos construindo a ideia de um evento inter-estadual: eu, mais um clube gaúcho e outro paranaense. Então, para representar a bandeira do meu Estado, criei o nome: Scooteria (que transmitia a idéia de "infantaria", "cavalaria", e) Paulista (remetendo à identidade). Nascemos com 15 integrantes, e chegamos a reunir 100 membros no agrupamento. Desde a fundação, realizamos cerca de 70 giros rodoviários, visitamos sete Estados brasileiros em cima das nossas Vespas, e três países sul-americanos. Dos eventos organizados por nós, foram cerca de 25 ao todo. E os mais expressivos e marcantes talvez tenham sido esses:

Curitiba em Vespa 2010 (primeiro encontro de estradas/Estados); São Anivespaulo (tradicional giro em homenagem ao aniversário de São Paulo - faremos a sexta edição em janeiro); Raduno da Primavera (giro entre a capital e o litoral paulista - faremos a quarta edição em novembro); Circuito das Motonetas de Interlagos (junto da loja Free Willy, um giro pelo Autódromo); SP EM 2T (festas em homenagem aos integrantes, com premiação e entrega de certificados de performance); In Vespa Fidelis (minha viagem 100% em Vespa feita de SP até Buenos Aires, representando nosso grupo num grande encontro sul-americano); Expedição Tropeira Brasil-Paraguay (giro de dois integrantes do grupo rumo à Assunção, em visita ao clube nacional); SP em Vespa e Lambretta 2013 (o maior encontro de motonetas a que se tem registro, com presença de 180 ou mais nos três dias de eventos)
*Houvera muitos outros eventos, e cada um melhor que o outro, mas destaco esses agora lembrando...).



Como consta no sirte, após três anos, houve aquilo que vocês chamam de "falência ideológica" do grupo. De que maneira isso se deu e por quais motivos?

A falência ideológica da Scooteria Paulista aconteceu porque a princípio éramos um agrupamento aberto e receptivo. Bastava chegar numa motoneta, bastava dizer "eu faço parte", que então considerávamos-no membro eterno. Todavia a grande parte do trabalho todo ficava comigo, porque o nosso nível de atividades (oficiais e extra-oficiais) aumentava conforme passávamos de marcha. Todavia quanto mais o grupo aumentava, mais ele exigia de mim. Então a velocidade da produção dobrou, e eu não podia parar. É o caos, você não pode contê-lo, é a vida. Encha uma panela de água e ponha no fogo. As moléculas, em baixa temperatura, movem-se lentamente; mas conforme o calor aumenta, a velocidade das moléculas também aumentam, e proporcionalmente o caos entre elas. E o que explica a "morte ideológica" é que o modus operandi da Scooteria já não era mais essencial para a nova realidade internauta, e somado à falta de comprometimento de uns e exigências de outros, reuni o "Conselho" e propus três opções: re-inauguração, extinção ou eleição para nova liderança. Foi feito uma votação e decidido pela re-inauguração do grupo, agora com outros critérios de mais longo prazo. 



Como surgiu o nome Sociedade Dois Tempista?

Sociedade 2 Tempista Scooteria Paulista. Esse é o projeto que (des)continua o outro. Remarcamos o chassis e estamos trabalhando no motor cansado. Sem muita pretensão, a idéia tem o princípio na Sociedade, aonde é preciso que cada membro tenha o mínimo de comprometimento. 2 Tempista é um neologismo que criei - e vem dos motores de tecnologia de 2 Tempos - e é um critério essencial para a inserção do scooterista na Sociedade. E Scooteria Paulista é uma herança da história recente, e perpetua a nossa velha essência: cordialidade, quilometragem e memória.



Quais os planos para o grupo para este segundo semestre de 2013?

Certo é que participaremos dos principais eventos que os clubes estão organizando pelo Brasil, como o de junho em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais. Também dos Desafios (bimestrais) de Motonetas - corridas amadoras. Em agosto estaremos em Jundiaí, e em Setembro desceremos para Florianópolis, na fundação de um clube local que está em projeto. Em Outubro vamos pra Marrocos: dois integrantes da nova Scooteria participarão do Vespa Raid Maroc, uma competição off-road de seis dias. Em Novembro vamos para o Paraguay. Também nesse mês organizaremos o IV Raduno da Primavera na cidade de Santos. E provavelmente em dezembro retornaremos para Buenos Aires, Argentina. Está em projeto também um Raid rumo ao norte brasileiro. Veremos. Fora os giros, Fabio Much está disposto a re-ativar a Rádio Motoneta com os programas Ao Vivo, e o Leo Russo e eu pretendemos dar uma forma definitiva ao projeto literário do Almanaque MOTORINO.

Foto: Andrea Soriano


Quais as dicas e os conselhos que você dá para quem quer comprar sua primeira scooter?

Para quem quer comprar uma scooter moderna, não recomendo nada, até porque nem sei como funciona uma. Mas para aqueles que buscam por old scooters, como as Vespas e as Lambrettas, recomendo que procure se encontrar com quem tem uma, procure saber aonde há mecânicos nas redondezas, e se for possível, dê uma voltinha na motoneta antes de fechar qualquer negócio. É preciso saber que essas são máquinas robustas, que exige alguns cuidados, que precisa funcionar com certa frequência e que, se você se adaptar à ela, a satisfação é garantida.